Cinco jovens passaram por cirurgia e seguem internados. 14 pessoas foram assassinadas a tiros em uma festa no Bairro Cajazeiras.
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Criminosos atiram em festa em Fortaleza. Local
foi fechado pela polícia. (Foto: Gioras Xerez).
Das dez pessoas baleadas
durante a chacina que deixou 14 mortos no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza, na
madrugada deste sábado (27), quatro passaram por cirurgias e seguem internadas,
conforme boletim atualizado, divulgado às 11h19 deste domingo (28), pelo
Instituto Dr. José Frota (IJF).
Uma outra pessoa - um homem de
24 anos - segue hospitalizada em estado grave no Hospital Distrital Edmilson
Barros de Oliveira, o Frotinha Messejana.
Entre os liberados, está um
garoto de 12 anos, que é filho de um vendedor de cachorro-quente morto na
chacina. O menino foi atendido no IJF e recebeu alta neste domingo.
Suspeito preso
Oito mulheres e seis homens
foram assassinados por um grupo que invadiu a danceteria "Forró do
Gago" por volta de 1h30 (horário de Brasília). Segundo um policial militar
e moradores do bairro que conversaram com o G1, vários homens armados chegaram
em três carros, invadiram o local e dispararam tiros.
Um suspeito foi preso e um
fuzil apreendido pela polícia, conforme a Secretaria da Segurança Pública do
Ceará. Uma bomba de gás também foi encontrada pelos policiais no interior do
local onde ocorreram as mortes.
Ao todo, 10 pessoas foram
atendidas no IJF com ferimentos à bala. Duas vítimas receberam alta hospitalar
durante a tarde de sábado. Um homem, uma mulher e duas adolescentes passaram
por cirurgias e continuaram internadas, até este domingo. A chacina foi
destaque também na imprensa internacional.
Criminosos invadem festa,
atiram e matam 14 pessoas na maior chacina do Ceará
Moradores de bairro onde houve
chacina relatam medo de sair de casa.
O estado de saúde mais grave é
de um homem de 24 anos que foi atendido no Frotinha de Messejana. Ele passou
por uma cirurgia e continuou internado em estado grave. As identificações das
vítimas não foram divulgadas.
Carrinho de lanches do
vendedor que foi morto durante chacina de Cajazeiras, em Fortaleza. (Foto:
Bárbara Sena/TV Verdes Mares)
Maior chacina do CE
A chacina dentro do clube de
festa é considerada a maior do Ceará. Entre os 14 mortos, há um motorista do
aplicativo Uber, um vendedor de cachorro-quente e uma comerciante. Os corpos
foram levados pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e levados para a
Coordenadoria de Medicina Legal (Comel). Os nomes também não foram divulgados
pela polícia.
O secretário da Segurança
Pública do Ceará, André Costa, disse que as investigações ainda estão em
andamento e negou especulações de que as mortes tenham relação com disputas entre
facções. Segundo ele, a chacina foi "um caso pontual" e o
"estado não perdeu o controle [do combate ao crime]".
O governador Camilo Santana se
pronunciou oficialmente sobre o caso por meio de seu perfil no facebook. Camilo
definiu a chacina como um "ato selvagem e inaceitável". O governador
informou ainda que se reuniu com o secretário André Costa e com membros da
cúpula da SSPDS para traçar ações de investigações sobre os crimes.
A Ordem dos Advogados do
Brasil no Ceará lançou nota se solidarizando com as famílias das vítimas da
chacina e manifestou “repúdio” ao caso. De acordo com a OAB-CE, “o ocorrido
comprova o que a sociedade cearense já vem presenciando no seu cotidiano,
estamos vivendo um colapso na Segurança Pública”.
A Ordem também destacou a necessidade
de uma “real mudança”. “A falta de efetividade na execução de um Plano de
Segurança Pública, a ausência de Políticas sobre drogas e a falta de atenção ao
sistema prisional que transforma os presos em pessoas ainda mais brutalizadas,
acabam facilitando a ingerência das organizações criminosas. A soma desses
pontos tem sido a fórmula para instituir o caos social e a insegurança no
Estado do Ceará”, diz a nota.
Ainda conforme a OAB-CE, são
necessárias ações urgentes e a união de todos os órgãos responsáveis.
"Convocamos a SOCIEDADE CIVIL e o ESTADO para juntos conquistarmos um
Ceará mais SEGURO e FRATERNO", finaliza a nota.
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Grupo armado invade festa e
deixa mortos e feridos em Fortaleza. (Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1)
O G1 esteve no local do crime
horas após a chacina. As marcas de bala estavam nas paredes das casas, no local
da festa e nos veículos que estavam estacionados na via. Apesar da chuva, a
calçada da casa de forró ainda estava coberta de sangue na manhã deste sábado
(27). Os moradores relataram que "têm medo de sair de casa até pra comprar
pão".
Um outro morador, que preferiu
não se identificar, disse que os suspeitos estavam armados com pistolas e
fuzis, usando coletes e balaclavas. Ele contou que o tiroteio durou cerca de 40
minutos.
"Parecia um filme. Muito
tiro e depois quando deixaram o local eles ainda cantaram uma música de uma
facção criminosa e atiram para o alto", afirmou.
Outras chacinas
Em 12 de novembro de 2015, 11
pessoas morreram na Chacina da Messejana - a maioria adolescente. Mais de 40
policiais foram presos suspeitos de envolvimento na sequência de homicídios, e
33 deles vão a julgamento. A suspeita é de que os policiais mataram os menores
como "retaliação" pelo assassinato de um policial militar, horas
antes da chacina. Não há provas de que as vítimas da chacina tenham relação com
a morte do policial.
Neste ano, o estado já havia
registrado uma chacina no município de Maranguape no dia 8 de janeiro. De
acordo com a polícia, quatro homens foram assassinados enquanto dormiam em uma
residência.
Em 2017, o Ceará registrou
pelo menos seis chacinas. A primeira ocorrência com mais de três assassinatos
foi no dia 21 de fevereiro, quando cinco pessoas foram mortas no Bairro Bom
Jardim, em Fortaleza. A chacina com mais mortes no ano de 2017 ocorreu no dia 3
de junho, em uma casa de veraneio no Porto das Dunas, em Aquiraz, na Região
Metropolitana de Fortaleza. Criminosos invadiram a residência durante uma festa
e excutaram seis pessoas.
Já em junho, um tiroteio em um
bar deixou cinco pessoas mortas no município de Horizonte, Região Metropolitana
de Fortaleza. Dentre as vítimas, estão uma criança de três anos e a sua mãe. No
dia 20 de julho, quatro homens foram assassinados a tiros no município de
Paraipaba, litoral oste do Ceará. Segundo a polícia, dois homens em um carro
deitaram as vítimas no chão e atiraram.
Um dos casos de maior
repercussão foi a chacina ocorrida no dia 13 de novembro, no Centro de
Semiliberdade Mártir Francisca, no Bairro Sapiranga. Criminosos armados
invadiram o local e assassinaram quatro adolescentes em conflito com a lei.
Outro caso grave registrado
foi no dia 4 de dezembro, no município de Ipueiras. Um homem incendiou a casa e
matou mulher e três crianças. O suspeito do crime foi preso. Segundo a polícia,
a chacina foi motivada por ciúmes.
Fonte e Créditos: Por Valdir Almeida, G1 CE
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