Pular para o conteúdo principal

Senado abre processo de impeachment contra Dilma Rousseff

Marcos Oliveira/Agência Senado


Por 55 votos a 22, o Senado decidiu, às 6h34 horas desta quinta-feira (12) abrir processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, por entender que há indícios suficientes de que ela cometeu crime de responsabilidade, infringindo a Constituição Federal e a lei 1079/1950.

Na manhã desta quinta-feira (12), o primeiro secretário do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO), levará ao Palácio do Planalto a notificação da decisão do Senado. A própria Dilma Rousseff deverá receber o documento. Levará também uma notificação comunicando ao vice-presidente Michel Temer que ele é o governante em exercício.

Assim, Dilma se afasta do cargo por um prazo máximo de 180 dias, período em que os senadores concluirão esse processo e decidirão se efetivamente ela cometeu crime de responsabilidade. Michel Temer deve assumir ainda hoje a Presidência da República. Dilma Rousseff manterá direitos, como residência no Palácio da Alvorada, salário integral e uma equipe de funcionários para auxiliá-la.

Durou 20 horas e 34 minutos a sessão deliberativa extraordinária que resultou na admissibilidade desse processo de impeachment. Abrindo os trabalhos às 10h, a primeira providência do presidente do Senado, Renan Calheiros, foi pedir “serenidade e espírito público” do Plenário, lembrando que aquele era um momento histórico, que devia estar acima de paixões partidárias.

— Tentem deixar de lado disputas regionais ou partidárias. Evitem votar movidos por passionalidades oriundas dos momentos pretéritos ou presentes ou por mera motivação partidária. A questão que se coloca é uma só: existem indícios de cometimento de crime de responsabilidade pela senhora presidente da República no ano de 2015 que justifiquem abertura de processo com seu consequente afastamento? — ponderou Renan.

Durante a sessão, cada senador teve até 15 minutos para usar a tribuna, a maioria justificando seu voto com argumentos concernentes à situação econômica enfrentada pelo país.

Relator do parecer oriundo da Comissão Especial do Impeachment, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) explicou, às 5h45, que este processo de impedimento do governante não decorre de crime natureza penal.

— Os crimes comuns estão na órbita do direito penal, os crimes de responsabilidade estão na ordem jurídico-administrativa — afirmou ele.

Anastasia citou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para embasar o entendimento de que o impeachment não é da competência do Judiciário, mas do poder Legislativo, sendo o juiz constitucional dessa matéria o Senado Federal, que age amparado na lei 1079/1950, a qual regulamentou dispositivos da Constituição de 1946.

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, também teve 15 minutos para defender a presidente, alegando que a acusação lançada contra a chefe do Executivo não se ampara em fatos reais consistentes com crime de responsabilidade praticado pela presidente da República.

— Não existe crime de responsabilidade caracterizado nesse processo. Eu desafio qualquer um dos senhores e das senhoras a ler o relatório do senador Antonio Anastasia e ver onde está demonstrada a relação de causa e efeito entre decreto e rompimento de meta fiscal. Não há — disse ainda o ministro.

Ele sustentou que foi a queda de receita que sinalizou que a meta fiscal não poderia ser atendida pelo governo. E terminou sublinhando que, se for consumado o processo de impeachment, “haverá um golpe que manchará a nossa historia”.

Antes de abrir a votação pelo painel eletrônico, Renan Calheiros disse que, nesse processo, o Senado se pautou estritamente pela responsabilidade que as circunstâncias impõem, observou que a história fará suas interpretações sobre este momento e afirmou que caberá ao povo brasileiro a palavra final.

Encerrada a votação, Renan também convocou reunião da Mesa Diretora da Casa para as 16h desta quinta-feira, à qual comparecerá o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, para conduzir o processo que se inicia.

Agência Senado 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dr. Mutar Cassamá um Guineense( Guiné-Bissau) desbravador

O jovem Mutar Cassamá chegou no Brasil em maio do ano de 2002, desembarcou em Fortaleza e seguiu viajem com destino à Natal, capital do nosso estado Rio Grande do Norte, onde logo no mesmo ano ingressou no curso de medicina na UFRN, finalizando o curso em 2008, tornando-se assim um médico Guineense para atuar no solo Brasileiro. Os estágios foram realizados no Hospital Universitário Onofre Lopes, Hospital Maternidade Januário Cicco e no Hospital Pediátrico da mesma Universidade. E desde então presta seus serviços no nosso estado começando em Parnamirim, São José do Mipibu, Lagoa Danta, Tibau, Baraúnas, Upanema e no serviço urgência do Samu em Mossoró. Hoje atende em Grossos, na UPA Tarcísio de Vasconcelos Maia em Mossoró e na nossa querida Olho D Água do Borges como médico da Família. Este é um breve relato da história e do trabalho do brilhante e competente Médico Clínico Geral Dr. Mutar Cassamá em nosso País, Estado e Município, que este blog tem o pra...

Cosems-RN reúne diretoria e vice-presidentes regionais para alinhar demandas institucionais e organização do XVII Congresso

  O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Norte (Cosems-RN) realizou, nesta quinta-feira (8), uma reunião com a Diretoria Executiva, o Conselho Fiscal e os vice-presidentes regionais da instituição. O encontro aconteceu no auditório do Centro Administrativo Federal, em Natal, e teve como foco o alinhamento de pautas estratégicas para o fortalecimento institucional e a atuação do Conselho em defesa da gestão municipal do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os principais assuntos discutidos esteve a organização do XVII Congresso de Prefeituras e Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Norte, incluindo demandas relacionadas à realização do evento. A reunião também abordou a eleição dos vice-presidentes regionais e a certificação de excelência institucional promovida pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) junto aos Cosems estaduais. A pauta incluiu ainda o planejamento das próximas atividades institucionais, no meses de outu...

Confira os 24 deputados estaduais eleitos para a Assembleia Legislativa do RN

  Foto: reprodução/AGORA RN Os eleitores do Rio Grande do Norte escolheram neste domingo (4) os 24 deputados estaduais que vão ocupar as cadeiras da Assembleia Legislativa entre 2027 e 2030. O PL foi o partido com o maior número de eleitos, com sete deputados. Das 24 vagas, 16 serão ocupadas por deputados reeleitos. Os outros oito são novatos. O candidato mais votado foi Coronel Azevedo (PL), com 105.403 votos (5,43% dos votos válidos). Azevedo vai para o terceiro mandato de deputado estadual. Em 2022, ele havia recebido 62.607 votos, sendo o terceiro mais votado do estado. Coronel da Polícia Militar do RN desde 2008, ele foi comandante-geral da corporação em 2017. 1. Coronel Azevedo (PL) - 105.403 votos (5,43% dos votos válidos) 2. Ezequiel (PSDB) - 73.217 votos (3,77% dos votos válidos) 3. Robson Carvalho (União) - 69.542 votos (3,58% dos votos válidos) 4. Julio Cesar (PP) - 66.750 votos (3,44% dos votos válidos) 5. Kleber Rodrigues (PP) - 66.172 votos (3,41% dos votos válidos) 6...