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Eleições em Roraima ocorrem sob forte esquema de compra de votos

As eleições em Roraima, o menor colégio eleitoral do país, chamam a atenção pelo alto valor das campanhas - os quatro candidatos ao governo vão gastar R$ 30,5 milhões - e pelos esquemas de compra de voto que já se tornaram históricos. O aliciamento de eleitores é tanto que desde fevereiro a Polícia Federal destacou um setor da inteligência só para monitorar os políticos.
A PF também infiltrou homens em reuniões políticas, destacou agentes para seguir os candidatos endinheirados e intensificou a fiscalização no Aeroporto Internacional de Boa Vista e em Jundiá, na divisa de Roraima com o Amazonas, os dois únicos acessos ao Estado.
O foco, segundo o superintendente da PF no Estado, Herbert Gasparini, é apreender o dinheiro e descapitalizar os candidatos. Nas últimas semanas, foram recolhidos quase R$ 800 mil e sete pessoas foram presas ou detidas.
Com a proibição de saques acima de R$ 20 mil até ontem, Gasparini tinha fortes motivos para acreditar que o dinheiro a ser derramado neste domingo chegará de carro pela BR-174 ou de avião.
Apesar do planejamento prévio, o delegado admite que não tem pessoal nem estrutura para chegar a todos os esquemas, que estão cada vez mais sofisticados. 'Mas nossa ação tem resultado pedagógico, pois quem tem a intenção de cometer o crime, está pensando duas vezes', acredita.
Com candidatos dispostos a se eleger a qualquer preço, os eleitores também não se constrangem a aceitar e até cobrar agrados. Na periferia de Boa Vista é comum os moradores passarem a madrugada do dia 3 em frente às suas casas à espera dos corruptores. Há distribuição de dinheiro, de material de construção e de eletrodomésticos.
Já os eleitores fiéis recebem no conforto de suas casas envelopes com dinheiro e santinhos. A única exigência é que informem previamente o número do título. Na eleição passada, a correspondência chegava com R$ 150,00. Agora, os candidatos oferecem até R$ 750,00 se o voto for 'casado' - para governador, senador, deputado federal e estadual.
Os candidatos roraimenses realizam todo tipo de desejo do eleitor. Na maioria dos gabinetes e comitês, há funcionários recrutados para recolher e pagar contas de água e luz enquanto os eleitores aguardam na antessala com água e cafezinho ou voltam mais tarde para pegar os papeis quitados. Se o pedido for material de construção, motor de luz e até motosserra basta deixar a lista que os produtos são entregues no endereço indicado. No dia da eleição, em algumas casas, há sinais de que votos podem ser comprados ali, com um pano branco, se destacando na porta. É o código indicativo de que alguém está vendendo o voto.
No interior, longe da vigilância policial, os candidatos são mais ousados. Levam ferramentas, implementos agrícolas e até animais para serem distribuídos durante as reuniões.
Outro esquema muito utilizado nesta eleição eleva os eleitores à categoria de cabo eleitoral. Cadastrados como funcionários, eles recebem um salário mínimo sem nunca ter saído às ruas. A artimanha beneficia os candidatos duas vezes: garante o voto e ainda 'legaliza' os gastos da campanha.


msn.com

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