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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Estado tem onda de violência com 26 mortes em três dias

Num intervalo de 49 dias, o último fim de semana já é considerado o segundo mais violento do ano no Rio Grande do Norte, com o registro de 26 homicídios ocorridos entre a zero hora da sexta-feira (13) e a meia noite de domingo (15), segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed). O último fim de semana de setembro, entre a sexta-feira (25) e o domingo (27), teve 32 casos de assassinato.
Emanuel AmaralRua da Fé, em Felipe Camarão, foi uma das que registrou homicídios no fim de semanaRua da Fé, em Felipe Camarão, foi uma das que registrou homicídios no fim de semana

Neste último fim de semana, somente em Natal foram 12 homicídios. Em Felipe Camarão, na Zona Oeste da cidade, cinco homens morreram alvejados a tiros na tarde de domingo. De acordo com a Coordenadoria de Análises Criminais da Sesed, o primeiro homicídio ocorreu às 14 horas, na rua Mirassol, na calçada da Assembléia de Deus, que estava fechada, em frente a um bar, tendo como vítima Adailson Martins Alves da Silva, 26 anos, ocasião em que também foi alvejado Yure da Silva Alves, 23 anos, que faleceu ao ser socorrido para o hospital. 

Entre às 16 horas e 16:5 do domingo, mais três homens foram vitimas de disparos de armas de fogo: o catador de recicláveis Marcone Linhares do Nascimento, 35 anos, foi morto na rua Santa Isabel, onde também cinco pessoas saíram feridas e socorridas para o hospital, sendo que duas mulheres e um homem tiveram atendimento e receberam alta, enquanto duas mulheres permaneciam internadas até à tarde de ontem, mas que não corriam risco de vida.

Também foram assassinados por volta das 16:15 de domingo Leandro Alves Pereira, 22 anos e Jonatas Adriano Faustino de Lima, 16 anos, que caminhavam na rua da Fé, próximas à “Favela do Fio”, situada em Felipe Camarão. 

Nos casos dos crimes da rua da Fé e Santa Isabel, a informação que se tem é que os suspeitos dos homicídios, não identificados, estavam num carro branco, provavelmente um Siena, segundo moradores da rua Santa Isabel. Já na rua Mirassol, os suspeitos encapuzados chegaram ao local atirando, deixando marcas de balas em duas casas vizinhas à igreja evangélica e em outra ao lado do Bar Nunes. 

O sexto caso de homicídio em Felipe Camarão não entra na contagem do fim de semana da Sesed, porque ocorreu já no começo da madrugada de ontem, quando a vítima Fabiano Santos da Silva, foi baleada na rua Santa Helena, e morreu a caminho do pronto-socorro Clóvis Sarinho. O Boletim de Ocorrência (BO) registrado na Dehom indica que a vítima havia bebido e se dirigia para dormir na casa da mãe, a qual prestou informações à Policia Civil. 

A Sesed segue a orientação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça, de contar para efeitos estatísticos os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que acontecem só entre a meia noite de sexta e meia noite do domingo, em todo o país.

Mais um crime dentro de presídio
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte trabalha com diversas linhas de investigação para se chegar a autoria dos homicídios que estão chamando a atenção da opinião pública em Natal e no interior, como a série de mortes ocorridas dentro do sistema prisional, que chegou a 23 casos ontem, bem como os sete assassinatos de policiais militares, cujo último caso ocorreu às 14 horas do sábado (14), quando o cabo Marcos Aurélio Lopes, 42 anos, foi alvejado por dois homens em uma motoneta Traxx, na passagem de nível de trem da rua São Sebastião, entre Felipe Camarão e Cidade Nova. 

Já o presidiário Francisco Antonio Duarte, 28 anos, o “Xilique”, foi encontrado supostamente enforcado na Penitenciária Estadual Mário Negócio, em Mossoró, na região Oeste do Estado.

O presidiário foi achado em um dos banheiros logo após o banho de sol, no início da tarde. Segundo a direção do presídio, há sinais de espancamento no corpo do detento. Francisco Duarte estava preso acusado de participar do assassinato de um agente penitenciário federal em Mossoró e de participação do sequestro de um promotor de Justiça em 2007. Ele também era um dos denunciados na Operação Alcatraz, deflagrada em dezembro do ano passado.

Das 23 mortes ocorridas no interior de presídios do RN, este é o 12º caso de suposto enforcamento. O mês de outubro foi o mais violento dentro dos presídios do Estado até agora, com 13 casos. Em junho foi uma morte, enquanto em agosto aconteceram outras seis.

O delegado geral adjunto de Polícia, Adson Kepler Monteiro Maia, disse que em relação aos assassinatos dos praças, tanto do cabo Marco Aurélio Lopes, como o do praça Daniel Henrique da Silva, 34 anos, crime ocorrido na noite do dia 26 de setembro, na Zona Norte de Natal, “não há nenhuma ligação com problemas do sistema prisional ou coisa do gênero”, como também não existem indícios de que a onda de assassinatos logo após as suas mortes, tenham vingança ou retaliações como motivação por parte de agentes de segurança.

Com relação ao cabo Marcos Aurélio, o deletado Adson Kepler Maia disse que já existe uma linha avançada de investigação, sabe-se a autoria, mas não se pode adiantar nada pra não atrapalhar a apuração do crime e a sua motivação. 

Da mesma forma, Adson Maia diz que “é muito cedo” em se falar que as mortes nos presídios tenham como motivo as guerras entre facções criminosas ou mesmo disputa por pontos de drogas, mas isso não quer dizer que não exista conexão em relação a ou outro caso.

O delegado geral de Homicídios, Ben-Hur Medeiros, disse que em alguns desses casos de homicídios de detentos e de policiais, tem-se as identificações dos suspeitos, “mas não temos a motivação”. Portanto, segundo ele, é muito cedo pra falar o que houve realmente, qual o motivo que levou à morte do cabo Aurélio.

Para Medeiros, os homicídios dentro dos presídios estão em adiantada investigação, mas é um tipo de crime diferente dos que ocorrem no dia-a-dia, “porque não existem câmaras de circuito interno de TV dentro das prisões”, além do fato de que não existe agentes penitenciários em número suficiente que possam vigiar as alas dos presídios. 

Medeiros disse que, nesses casos, é difícil haver testemunhas e, em muitos casos, sabe-se que facções criminosas também usam “laranjas” - terceiros que assumem por esses crimes: “A gente precisa agir com muito cuidado para não indiciar gente inocente, mesmo que esteja presa”.

O delegado da Dehom também disse que ontem mesmo algumas pessoas já estavam sendo ouvidas sobre a chacina de Felipe Camarão: “Todas as vertentes estão sendo investigadas, porque a gente também trabalha com outros mecanismos de investigação”.

Números Quadro de homicídios em Natal e no interior
13–15/novembro/2015

Natal 12
Parnamirim 6
Bom Jesus 2
Currais Novos 1
Extremoz 1
Lagoa Nova 1
Macaíba 1
Nísia Floresta 1
Santa Cruz 1


Fonte – Sesed via Tribuna do Norte

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